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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Aula 03 - Maternal e Infantil I - Meus brinquedos preferidos

Sobre o tema da aula:

Entre as correntes pedagógicas mais modernas em Educação Infantil, há muitos pontos discrepantes mas algo aparece sempre em comum: partir do contexto da criança, daquilo que está mais próximo a ela. Os brinquedos cumprem bem essa função. Além de serem objetos que elas já conhecem - e esse conhecimento de mundo que elas trazem para a escola tem que ser valorizado -, os brinquedos também evocam uma afetividade que cataliza a ação de aprender. Está provado que com emoção e sentimento as crianças pequenas aprendem mais rápido e melhor. Há ainda a vantagem dos brinquedos serem objetos concretos, e nessa fase a mente dos pequenos trabalha sempre do concreto para o abstrato, e não o inverso. Cada conteúdo precisa ser manipulado e visualizado em algo concreto, é assim que seus cérebros funcionam. Usando brinquedos sonoros é possível explorar timbres, altura, intensidade, ritmo, e fazer um trabalho de percepção auditiva eficaz e interessante para elas. Em minhas aulas tenho procurado trabalhar de modo que as crianças brinquem e se divirtam de tal modo que esqueçam que estão "tendo aula". Apenas eu não posso esquecer disso. Criança tem que se preocupar só em brincar mesmo! A obrigação dela aprender é sempre responsabilidade dos adultos ao seu redor, não dela, capisce?

Como foi?

Como é bom reencontrar velhas músicas que marcaram nossa infância e que continuam sendo boas demais. Por isso comecei com essa, do musical "Casa de Brinquedos", do Toquinho. Acompanhamos a música do macaquinho de pilha com palmas e outros gestos sonoros criados conjuntamente, professora e alunos.


Depois da música do bom dia individual, comecei apresentando um brinquedo sonoro bem interessante que tenho aqui em casa: um sapinho de pelúcia que "toca" saxofone quando você aperta no pé dele. Os bebês ficaram vidrados e deixei que todos vissem, ouvissem e tocassem um pouquinho. Então falei que muitos brinquedos tem sons interessantes para a gente ouvir, e apresentei a música "meus brinquedos". Cada criança/bebê ganhou um bichinho de pelúcia para fazer carinho e ninar enquanto cantávamos:

"Devagar, toco com os dedos
Sei cuidar dos meus brinquedos
E do meu ursinho, que é tão fofinho
Trato os brinquedos com carinho" (bis)
(Elvira Drummond) 

A história que contei está no livro "Os brinquedos do Leo", de Elvira Drummond (Coleção Descobrindo Sons, livro 2). Nela aparecem os sons do trenzinho, da caixinha de música, do apito, do tambor, do soldadinho de corda, do robô e da buzina do velocípede. Repassamos esses sons para as crianças nomearem, ou, no caso dos bebês, para eu nomear cada som, mostrando também o objeto no livro.

A canção com movimentos locomotores chama-se "Barquinho de papel", e a proposta rítmica  é levar os adultos a embalarem as crianças em movimentos de balanceio. Esse movimento, que a mãe instintivamente faz, é de suma importância para o bebê pois ajuda a desenvolver seu equilíbrio, tão importante para a aquisição da marcha (andar) e futuramente para a escrita. Há pessoas que, por causa de certas reportagens de TV, tem medo de balançar o bebê, coisa de americano dos EUA, onde tocar ou abraçar uma criança não é algo muito incentivado. Mas desde que existe mãe, os bebês são ninados com balanceio. Os americanos do sul, alguns índios, por exemplo, carregam seus bebês envolvidos em faixas no corpo materno, e estes ficam seguros e felizes por continuar sentindo o movimento de balanceio que viviam dentro do útero (a corrente pediátrica que apóia atitudes como essa baseia-se na teoria de que o bebê precisa de uma fase de adaptação extra-uterina bem próxima à mãe nos primeiros meses de vida). O que faz mal é sacudir o bebê, não balançar. Isto esclarecido, eu me inspirei em nossas índias sul-americanas e levei o meu sling para a sala de aula. O sling é um paninho moderno mas como as faixas de tecido das indígenas, que serve para carregar o bebê por muito tempo sem cansar os braços e sem tirá-lo de perto do corpo, colocando-o exilado num carrinho de bebê, por exemplo. Usei muito com meus dois filhos, e é o que me permitia usar o computador e fazer pequenas tarefas domésticas com eles no colo. Então não foi difícil pegar os bebês, um por um no meu sling e balancear ao som da referida música. Você pode usar qualquer música com o tema que remeta ao balanceio (o compasso ternário é bem propício). Pode ser "O barquinho" da bossa nova (Menescal e Bôscoli) ou este abaixo:




A canção com percussão corporal apresentou o palhaço bochechinha, que adora estourar bochechas. Com um desses palhacinhos de cone, que sobem e descem, estouramos muitas bochechas fofas!



Nossa parlenda foi com uma bolinha sonora. Bastou fazer a primeira vez para a turma do Infantil ficar toda de pezinho estirado esperando sua vez!

"Rebola a bola (marcando um pulso)
Rebola com jeitinho
A bola sai bolando (fazer movimentos circulares com a bola)
E embola no seu pé" (bater de leve com a bola no pé da criança)

A apreciação musical ficou por conta da macha dos soldadinhos de Schumann (Do seu "álbum para a juventude"). Para vivenciar a forma A - B -A da música fizemos uma grande roda e giramos na parte A e batemos os pés no chão como soldadinhos na parte B. Com os bebês, cada professora/auxiliar pegou um bebê no colo e marchamos na parte A e giramos lentamente na parte B. Aconselhei que durante toda a música os adultos desse pequenas palmadinhas de levezinho, com os dedos, nas costas dos bebês, para marcar a pulsação. Bebês costumam se sentir confortáveis com esse tipo de contato rítmico.


A canção socializadora chama-se "brincadeira" e promove o contato entre os adultos e as crianças e também das crianças entre si. Podemos mover as mãos e pés dos bebês ritmicamente, e fazê-los bater a palma da mão na nossa enquanto cantamos. Com o Infantil I dá para pedir que batam nas mãos uns dos outros.

"Olhem só pra mim
Eu agora vou brincar
Pois minhas mãozinhas vou juntar e separar:
Junta, separa, junta, separa
vem que eu vou mostrar
Jutna, separa, junta separa
Não vou me enganar" (bater palmas ou pés no final)
(Elvira Dummond)


A canção com instrumento musical chama-se "Meu tamborzinho", mas você pode utilizar qualquer canção em que a percussão tenha destaque, como a música do macaquinho com que iniciamos a aula, por exemplo. Para esta atividade eu levei um conjunto de tambores muito lindinhos que comprei na Kazoo Toys, em que um cabe dentro do outro.É fácil de guardar e eles são afinados formando uma escala musical. São bastante coloridos e o fato de terem alturas diferentes foi perfeito para trabalhar com eles nessa atividade. Mostrei que os sons do tambor grande e do pequeno eram diferentes. E fiz a associação grande/grave, pequeno/agudo. Pedi que tocassem todos e de várias maneiras (dentro e fora, ao lado, dois ao mesmo tempo). Como o material é um tanto delicado, usei baquetas feitas de lápis com ponteira de borracha colada com cola quente. Perfeito!






Encerramos com nosso relaxamento e em seguida, a música da despedida. Neste dia em especial eles me cobriramde beijos! Que delícia!

Dica para pais

Você lembra como se faz um chapéu de soldado com dobradura de jornal? Para você pode ser só uma velha lembrança que ficou da infância. Para seu filho, ver uma folha de jornal virando chapéu, é MÁGICA. Tenha muitos momentos mágicos junto ao seu filho. A música é uma grande aliada para isso. Depois de pronto o chapéu é só colocá-lo na cabeça e seguir o ritmo da marcha!

(clique para aumentar)

Marcha dos soldadinhos de Schumann


Dica para professores

A aula de música costuma movimentar o corpo e excitar os sentidos, deixando a criança eufórica, por isso é preciso diminuir o ritmo antes de terminar a aula (lembrando que normalmente a criança vai continuar tendo aula regular depois, e a professora deles agradece se estiverem calminhos...)
Ao final de cada aula com meus pequenos há o momento de relaxamento. Este momento é muito bem aceito por eles, especialmente quando se torna parte da rotina. É o aviso que a aula está acabando (alguns ficam com carinha triste, ô dó!), mas para acabar bem nós o fazemos com carinho. Numa aula e que a mãe acompanha o bebê, é o momento de dar massaem, ninar, embalar, fazer carícias enquanto a criança descansa num colchonete ou mesmo nos braços da mãe. Numa aula na escola, em que não é possível pegar todos os bebês ao mesmo tempo, ainda assim é possível ao professor se aproximar e dar um beijo, fazer um afago, dar um abraço em cada um.
Uma outra intervenção interessante para esse momento é a presença de um objeto transicional estabelecido pelo professor. Eu criei uma "naninha" para cada criança. É uma almofadinha simpática onde eles podem descansar, abraçar, ninar e como todo objeto transicional, tentar arrancar o olho, pisar, jogar... hehehe temos que estar preparados para essas manifestações também, pois são normais na relação emocional criança-objeto. O importante é que eles possam dar vazão a seus sentimentos e isso os leve, também, a um alívio das tensões. Minha naninha foi confeccionada de forma muuuuito simples: um saquinho de TNT, do tipo que se compra para sacolinahs de aniversário, olhinhos de plástico para boneco, boca e nariz feitos com caneta para tecido. O enchimento foi feito com manta acrílica. Há crianças que me cobram as naninhas, e se por acaso as esqueço (como já aconteceu), tenho que dar explicações...





(plano de aula adpatado do livro "Descobrindo Sons", de Elvira Drummond, vol. 02)

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